A 2ª Reunião de Avaliação das Condições Hidrometeorológicas da Bacia do Rio Doce foi realizada no dia 7 de janeiro de 2026, e reuniu representantes de instituições técnicas e operacionais para análise do cenário climático e hidrológico da bacia. O encontro teve como objetivo avaliar as condições observadas no período chuvoso, identificar possíveis riscos e subsidiar o monitoramento contínuo da bacia ao longo dos próximos meses.
A reunião foi conduzida por Alan Vaz Lopes, superintendente adjunto de Operações e Eventos Críticos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), e contou com a participação de representantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Chuvas recentes não alteram o quadro geral de estiagem
De acordo com Diogo Arsego, meteorologista do INPE, os primeiros dias de janeiro registraram chuvas acima da média em grande parte da Bacia do Rio Doce, com volumes entre 50 e 100 milímetros, além de pontos isolados com acumulados superiores. O evento esteve associado à atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul, que favorece precipitações mais generalizadas sobre a região Sudeste.
Apesar do episódio recente, Marcelo Seluchi, coordenador-geral do Cemaden, destacou que, quando analisados períodos mais longos, o cenário permanece caracterizado por volumes de chuva abaixo da média histórica. Segundo o coordenador, o acumulado observado nas últimas semanas corresponde a aproximadamente um terço da média esperada para o período. Seluchi também ressaltou a tendência histórica de redução do período chuvoso, com a perda média de uma semana de chuvas por década, ao longo das últimas décadas.
As projeções climáticas para o restante de janeiro e para o início de fevereiro indicam volumes de precipitação abaixo da média, o que caracteriza um cenário de normalidade climática, sem indicativos de eventos extremos de chuva no curto prazo.
Níveis dos rios permanecem abaixo das cotas de atenção
O panorama hidrológico apresentado pelo Serviço Geológico do Brasil indica que, mesmo com as chuvas registradas no início do mês, os níveis dos rios monitorados na Bacia do Rio Doce permanecem abaixo das cotas de atenção e alerta.
Segundo Breno Guerreiro da Motta, engenheiro hidrólogo e representante do SGB, em municípios historicamente sensíveis a cheias, como Governador Valadares, os níveis observados não apontam risco iminente de inundação. O representante ressaltou ainda que o Sistema de Alerta Hidrológico segue em operação contínua, com a emissão de boletins diários que permitem o acompanhamento das condições hidrológicas em diferentes pontos da bacia.
Atenção voltada para a estiagem hidrológica
As análises técnicas convergiram para a avaliação de que a principal atenção no momento está relacionada à estiagem hidrológica, refletida em vazões abaixo da média histórica em diversos trechos do Rio Doce e de seus afluentes.
Conforme Paulo Vitor, representante do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Bacia do Rio Doce apresenta baixos volumes armazenados em reservatórios de regularização, o que limita a capacidade de controle das vazões ao longo do tempo. Dessa forma, mesmo em períodos com ocorrência de chuvas, os efeitos sobre a regularização das vazões tendem a ser restritos, com elevações pontuais e de curta duração.
Monitoramento contínuo
A reunião reforçou a importância do monitoramento integrado e contínuo das condições hidrometeorológicas da bacia do Rio Doce, especialmente durante o período chuvoso. Novas avaliações poderão ser realizadas conforme a evolução do cenário climático e hidrológico, assegurando a produção de informações qualificadas para subsidiar a tomada de decisões e a comunicação com os diferentes atores da bacia.

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