21ª Reunião Ordinária do CBH Doce é realizada em Governador Valadares

30/06/2015

 Durante o encontro foi aprovada a prorrogação da indicação do IBIO – AGB Doce para desempenhar as funções de agência de água na Bacia Hidrográfica do Rio Doce e feita uma avaliação sobre a situação da crise hídrica

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Representantes do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH Doce) reuniram-se no dia 25 de junho, na sede da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Doce (Ardoce), em Governador Valadares/MG, para a 21ª Reunião Ordinária do Comitê. O evento contou com a presença de representantes da Agência Nacional de Águas (ANA), Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) e Agência Estadual de Recursos Hídricos do Espírito Santo (AGERH).

O secretário executivo do CBH Doce, Luiz Cláudio Figueiredo, abriu o encontro apresentando a proposta de calendário das reuniões dos comitês estaduais mineiros para o segundo semestre.  Em seguida, foi aprovada a deliberação que indica o Instituto BioAtlântica (IBIO AGB-Doce) ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), como entidade delegatária às funções de Agência de Água na Bacia Hidrográfica do Rio Doce, para o exercício de 2016/2020.

O período de estiagem na Bacia Hidrográfica do Rio Doce foi destaque na pauta da reunião. Ney Murta, que representou a ANA, informou que, na comparação com o mesmo período do ano passado, a captação de muitos afluentes do rio Doce tem sido menor em 2015. “Em municípios como Governador Valadares e Colatina/ES, a vazão está inferior à média histórica”. O fenômeno, segundo ele, pode favorecer a concentração de cianobactérias. A boa notícia é que, diferentemente do que foi registrado em 2014, há a possibilidade de mais chuvas este ano.

Representante do IGAM, Débora de Virterbo apresentou aos participantes a Deliberação Normativa Nº 49, de 25 de março de 2015, do Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Minas Gerais (CERH), que estabelece restrições de uso em caso de escassez e propõe a criação de um Plano Emergencial de Controle de Qualidade e Quantidade de Recursos Hídricos.

O diretor presidente da AGERH, Paulo Paim, que encerrou o painel sobre a crise hídrica, destacou a importância de uma mudança de atitude por parte da sociedade em relação ao uso da água. “É preciso economizar constantemente. A crise está passando, mas não dá para continuar com o mesmo comportamento”, advertiu.

Foz do rio Doce

Ainda no encontro, foi exposta a situação da foz do Rio Doce. A baixa incidência de chuvas provocou alterações drásticas, por exemplo, em Regência/ES, na região conhecida como “boca da barra”, onde o surgimento de vários bancos de areia impossibilitou o encontro das águas do rio com o mar.

O representante da Câmara Técnica de Gestão de Eventos Críticos (CTGEC) do CBH Doce, ambientalista Henrique Lobo, explicou que esse fenômeno pode ocorrer em razão de dois fatores. “Em primeiro lugar, podemos trabalhar com a hipótese de ser uma questão natural, provocada pela maré, que está realmente baixa; outra possibilidade está ligada à ação do ser humano”, observou. Atualmente, de acordo com ele, a bacia que se estende ao longo de 83,5 mil km² conta com aproximadamente 4% de floresta natural e 80% das pastagens estão degradadas. Lobo lembrou ainda que, em 1960, o rio possuía três metros de profundidade média, hoje reduzida a 90 cm. ”O assoreamento, associado a fenômenos naturais, levou ao fechamento da foz do rio Doce”, apontou. Lucinha Teixeira, presidente do CTGEC, disse que a situação deve ser acompanhada de perto pelos órgãos gestores e também pelo Comitê.

 

 

 

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