O Serviço Geológico do Brasil – SGB/CPRM está percorrendo pontos da Bacia, monitorados automaticamente durante o período de cheias, para realizar a calibragem da cota de inundação. A atualização é importante para o aperfeiçoamento do Sistema de Previsão de Níveis e Vazões, no qual o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH Doce) está investindo mais de R$ 1 milhão. O objetivo é o fortalecimento da ferramenta, por meio da atualização da modelagem hidrológica, hidráulica e de reservatórios, além dos mapas de inundação e da disponibilização dos dados em tempo real.
“Dentro desse investimento, também será realizada uma capacitação com os municípios e as defesas civis, que fazem parte do Sistema de Alerta. Então, essa atualização é de suma importância, uma vez que ela será inserida no sistema de alerta, assim como os mapas de inundação, que serão atualizados por meio da verificação da CPRM”, destaca o assessor da AGEDOCE, Alex Pereira.
O investimento dos recursos da cobrança pelo uso dos recursos hídricos faz parte do Programa de Convivência com as Cheias (P31), que prevê a realização de atividades de monitoramento, através de dados hidrométricos das estações fluviométricas e pluviométricas, registros da Defesa Civil e acompanhamento da ocupação de áreas de risco por imagens de satélite.
CALIBRAGEM
A ação foi apresentada pela CPRM e discutida no Grupo de Trabalho de Cheias, criado no âmbito da Câmara Técnica de Gestão de Eventos Críticos (CTGEC) do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH Doce), em reunião realizada fevereiro de 2023. Este grupo é formado por representantes da sociedade civil, usuários e poder público municipal, além de representantes da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico e CPRM.
Em 2023, foram realizadas reuniões de alinhamento entre a CPRM e os municípios, com apoio do GT-CHEIAS/CBH-DOCE para organização das visitas técnicas. Até o momento foram realizados levantamentos em Colatina, Governador Valadares, Ponte Nova e Naque.
O técnico em hidrologia do SGB/CPRM, Alexandre Henrique, explicou que o aparelho mede a altura do bairro em relação ao nível do rio, por isso, a atualização permitirá obter maior precisão quanto às cotas de inundação. “O trabalho é realizado por meio da utilização de um DGPS – aparelho semelhante a um GPS, que tem o objetivo de receber um sinal mais preciso. Para isso, ele é colocado em um determinado ponto do bairro, sendo, então, capaz de colher as informações e enviar para a Central. A partir daí os dados levantados são validados, possibilitando a definição de uma nova cota de inundação”.
O Coordenador do GT Cheias, Marlon Coelho, destaca que essa atualização é fundamental para que os municípios tenham acesso a dados cada vez mais qualificados durante o período chuvoso. “O GT, enquanto órgão colegiado, discutiu a atualização, observando que a situação do leito do rio é variável. Além disso, será realizado o trabalho de batimetria, com o objetivo de verificar a profundidade do rio e possibilitar a obtenção de dados cada vez mais assertivos, garantindo segurança para a população”, destaca.
OUTROS INVESTIMENTOS
Em 2012, foi iniciada a articulação entre CBH Doce e ANA para a prevenção de inundações naturais. O primeiro passo foi definir as 23 cidades críticas. Em seguida, foi realizado o geoprocessamento com mapeamento do uso e ocupação do solo de toda a bacia, produto em moderada resolução e alta, além da entrega dos produtos aos municípios contemplados.
Já foi realizada também a Topobatimetria, com levantamento de 375 seções transversais, nos trechos de rios selecionados para a modelagem das cheias naturais e o caminhamento a jusante das barragens que serão escolhidas para rompimento; medição de perfis de linha d´água nas seções transversais levantadas; Identificação de marcas de cheia notáveis e Georreferenciamento de estações fluviométricas nos cursos d´água investigados.
ATUAÇÃO NO PERÍODO DE CHEIAS
Cabe ao CBH Doce, por meio de Grupo de Trabalho de Cheias, apoiar, articular e acompanhar estudos, projetos e ações relacionadas à operação, ampliação e modernização do Sistema de Alerta de Eventos Críticos – SACE/CPRM na Bacia do Rio Doce. Também é competência desse grupo apoiar, articular e acompanhar o desenvolvimento das ações hierarquizadas no PAP 2021-2025 no âmbito do Programa de Convivência com as Cheias (P31).
Também é responsabilidade dos comitês a articulação para a abertura da Sala de Crise da Cheia do Rio Doce, que reúne representantes da Casa Civil da Presidência da República, Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), Defesa Civil dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e da AGEDOCE, sob coordenação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Durante as reuniões, são repassadas informações atualizadas sobre o monitoramento e previsões de cheias.
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