As expedições hidrográficas surgem da necessidade de aproximar pessoas e território, transformando a observação do rio em conhecimento, mobilização e ação. Mais do que percorrer cursos d’água, essas iniciativas permitem compreender, na prática, a realidade das bacias hidrográficas, fortalecendo a gestão participativa e estimulando o cuidado coletivo com os recursos hídricos.
Ao longo do percurso, gestores, pesquisadores, produtores rurais, estudantes e comunidades têm a oportunidade de observar de perto as condições ambientais dos rios, identificar pontos de poluição, processos erosivos e áreas de assoreamento, além de registrar experiências positivas de conservação. O conhecimento gerado nessas jornadas se torna ferramenta estratégica para orientar projetos de recuperação de nascentes, saneamento, proteção de matas ciliares e planejamento de ações futuras.
Mas o impacto das expedições vai além dos dados técnicos. Elas criam conexões entre pessoas e paisagens, despertam o sentimento de pertencimento e colocam o rio no centro das discussões sobre desenvolvimento, conservação ambiental e qualidade de vida.
De acordo com Geraldo Magela (Dindão), as expedições hidrográficas cumprem um papel essencial de reconectar a sociedade aos cursos d’água e reforçar a consciência sobre a importância da preservação ambiental.
“Uma expedição hidrográfica, além desse papel de promover essa reconexão, demonstra à população a necessidade de preservar esses verdadeiros tesouros que são os cursos d’água — base da vida. Ao mesmo tempo em que mobiliza a sociedade para a recuperação e revitalização das bacias hidrográficas, evidencia que a conservação da água está diretamente ligada à proteção das florestas e ao funcionamento do ciclo hidrológico.
As expedições também levam educação ambiental, realizam o monitoramento hídrico e fortalecem a integração do hidroterritório, porque aquilo que acontece nas
cabeceiras impacta diretamente as regiões a jusante. Por isso, comunidades e municípios precisam estar conectados e compreender que compartilham responsabilidades sobre o mesmo recurso.
Além disso, as expedições cumprem um importante papel de comunicação e aproximação. No caso dos comitês de bacia, que atuam na gestão dos recursos hídricos, elas levam informação às comunidades e mostram que existe um esforço permanente em defesa das águas. Mas essa missão precisa ser coletiva, porque todos dependem da água. Por isso, defendo que as expedições hidrográficas sejam realizadas em todas as bacias, não apenas em Minas Gerais, mas em todo o Brasil.”
Já para o presidente do CBH Caratinga, Thalles Castilho, o valor das expedições está justamente na capacidade de transformar conhecimento em envolvimento social e tornar o rio protagonista das discussões sobre o futuro do território.
“As expedições hidrográficas têm um papel muito importante porque aproximam as pessoas do rio e transformam dados técnicos em experiências concretas. Quando colocamos o rio em evidência, criamos uma oportunidade para que toda a população da bacia conheça de perto sua realidade, compreenda seus desafios e participe da construção de soluções coletivas para a gestão das águas.”
Na porção mineira da bacia do Rio Doce, esse movimento já começa a gerar resultados concretos. Os Comitês da Bacia Hidrográfica do Rio Doce já realizaram três expedições hidrográficas — duas na bacia do Rio Piracicaba e uma na bacia do Rio Caratinga — experiências que permitiram ampliar o conhecimento sobre os rios, fortalecer a mobilização social e aproximar ainda mais a gestão das águas das comunidades locais. Diante dos avanços observados, novas expedições já estão em fase de planejamento nas bacias dos rios Santo Antônio, Manhuaçu e Piranga, ampliando esse processo de integração territorial e reafirmando o compromisso dos Comitês com uma gestão participativa, preventiva e cada vez mais conectada com a realidade dos territórios. Mais do que percorrer rios, as expedições consolidam um entendimento essencial: conhecer a água é o primeiro passo para protegê-la.
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