Preservação dos rios depende da participação da sociedade e de ações coletivas

26/10/2026

Representantes dos Comitês da Bacia do Rio Doce destacam a importância do envolvimento da população, da adoção de práticas sustentáveis e da responsabilidade compartilhada na proteção dos recursos hídricos

A preservação dos rios é fundamental para garantir a disponibilidade de água, a qualidade de vida da população e o equilíbrio dos ecossistemas. Responsáveis pelo abastecimento de cidades, propriedades rurais e indústrias, os cursos d’água também desempenham papel essencial na manutenção da biodiversidade e no desenvolvimento econômico. Proteger esses recursos, no entanto, é uma responsabilidade que vai além da atuação do poder público e das instituições responsáveis pela gestão das águas: exige o compromisso e a participação de toda a sociedade.

Atitudes simples no dia a dia podem contribuir significativamente para a conservação dos recursos hídricos. O descarte adequado de resíduos, por exemplo, ajuda a evitar que o lixo lançado em ruas, terrenos baldios e margens de córregos seja levado pelas chuvas até os rios, comprometendo a qualidade da água e prejudicando a vida aquática.

Outra medida essencial é a preservação das matas ciliares, vegetações que protegem as margens dos cursos d’água, reduzem processos erosivos e ajudam a conter o transporte de sedimentos. A proteção das nascentes e o respeito às áreas de preservação permanente também são fundamentais para a manutenção da quantidade e da qualidade da água ao longo do tempo.

Para o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Manhuaçu (CBH Manhuaçu), Senisi Rocha, a sociedade desempenha papel decisivo nesse processo e precisa reconhecer sua responsabilidade na conservação ambiental.

“A sociedade tem muito a contribuir com a preservação dos rios. São as pessoas que ocupam as propriedades rurais e os terrenos urbanos. Quando desmatamos topos de morro, construímos dentro do leito dos rios ou eliminamos as matas ciliares, estamos prejudicando consideravelmente a qualidade das águas e as condições necessárias para que os rios permaneçam saudáveis”, destaca.

Segundo Senisi, embora o poder público tenha a responsabilidade de desenvolver políticas, programas e projetos de proteção ambiental, os resultados dessas iniciativas dependem diretamente do envolvimento da população.

“Muitas vezes atribuímos toda a responsabilidade ao poder público e acreditamos que todas as iniciativas devem partir dos governos. Mas a sociedade tem um papel fundamental no dia a dia, economizando água, fazendo uso racional dos recursos

hídricos, evitando a poluição e impedindo o lançamento de efluentes diretamente nos cursos d’água”, afirma.

O presidente também chama a atenção para a necessidade de maior engajamento dos setores produtivos, especialmente empresários e produtores rurais, na adoção de práticas ambientalmente responsáveis.

“São os empresários e os produtores rurais que também precisam adotar posturas diferentes diante da realidade que estamos vivendo. Se queremos um planeta melhor, um ambiente mais saudável e mais equilibrado, todos precisamos dar a nossa contribuição. Ela é significativa, extremamente importante e relevante nesse processo”, reforça.

Participação social fortalece a gestão das águas

Além das atitudes individuais, a participação da população nas decisões relacionadas aos recursos hídricos é fundamental para que as ações de preservação atendam às necessidades de cada território.

A secretária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH Doce), Andressa Pereira, destaca que as comunidades possuem conhecimento direto sobre a realidade dos rios e podem contribuir para a identificação de problemas e a construção de soluções.

“A preservação dos rios começa com a participação da população, porque são essas pessoas que convivem diariamente com os rios, utilizam suas águas e sabem exatamente quais são os problemas e as necessidades de cada território. Quem está próximo consegue identificar com mais precisão o que precisa ser feito para ajudar na preservação”, afirma.

Andressa ressalta que o envolvimento da sociedade deve ocorrer tanto por meio de práticas sustentáveis quanto pelo acompanhamento e pela participação nas políticas públicas de recursos hídricos.

“A população tem um papel essencial, que é adotar práticas responsáveis como evitar o descarte inadequado de resíduos, economizar água, proteger nascentes e promover a educação ambiental em suas comunidades. Mas também tem o poder de cobrar ações, fiscalizar, denunciar irregularidades e participar dos espaços de decisão sobre a gestão das águas”, explica.

Nesse contexto, os Comitês de Bacia Hidrográfica representam importantes espaços de participação social, reunindo representantes do poder público, dos usuários de recursos hídricos e da sociedade civil para discutir desafios, estabelecer prioridades e contribuir para a gestão sustentável das águas.

“Participar dos comitês, divulgar as ações e ser um parceiro dessas iniciativas também é fundamental. Quando a sociedade se envolve, ela passa a exercer um papel direto na preservação dos rios”, complementa Andressa.

Para a secretária, a efetividade das políticas públicas está diretamente relacionada à capacidade de mobilizar a população e promover decisões construídas coletivamente.

“Nenhuma política pública pode ser totalmente eficaz se não houver o envolvimento da sociedade. A gestão das águas depende dessa construção coletiva, baseada na participação, no diálogo e na responsabilidade compartilhada”, conclui.

Sociedade civil aproxima os comitês das comunidades

A atuação da sociedade civil organizada também é essencial para aproximar as discussões técnicas da realidade das comunidades e ampliar o alcance das iniciativas de preservação ambiental.

Para a vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Caratinga (CBH Caratinga), Nádia Rocha, esse segmento desempenha uma função estratégica ao estabelecer uma conexão entre os comitês e a população, contribuindo para que as informações e ações desenvolvidas cheguem aos diferentes territórios.

“Dentro da estrutura dos Comitês de Bacia, a sociedade civil é o segmento que tem a possibilidade e também a responsabilidade de se aproximar cada vez mais da população. Enquanto o Estado, os municípios e os usuários possuem suas atribuições específicas, cabe à sociedade civil fazer a ligação entre a coordenação dos comitês, o trabalho técnico desenvolvido e a comunidade”, explica.

Segundo Nádia, essa aproximação é fundamental para fortalecer programas e projetos de recuperação ambiental, incentivar a participação comunitária e ampliar as ações de educação ambiental.

“É por meio da sociedade civil que conseguimos desenvolver projetos de recuperação ambiental, iniciativas de participação comunitária e ações de educação ambiental. Para que essas atividades tenham resultados efetivos, é necessário que exista um elo permanente entre os comitês e a população”, destaca.

A vice-presidente também aponta a necessidade de tornar o conhecimento técnico sobre recursos hídricos mais acessível, permitindo que a sociedade compreenda os desafios relacionados à conservação dos rios e participe ativamente da busca por soluções.

“O papel da sociedade civil é fazer com que as discussões sobre preservação ambiental e recursos hídricos cheguem às comunidades e sejam entendidas pela população. Esse é um desafio permanente e uma tarefa que a sociedade civil tem condições únicas de desempenhar”, conclui.

A atuação dos Comitês de Bacia Hidrográfica reforça a importância dessa construção coletiva, na qual diferentes setores compartilham responsabilidades e contribuem para a definição de estratégias voltadas à proteção dos recursos hídricos.

Mais do que uma atribuição institucional, preservar os rios é um compromisso de todos. Da adoção de hábitos sustentáveis à participação nos espaços de decisão, cada iniciativa contribui para a conservação das águas. Quando articuladas, essas ações fortalecem a gestão participativa, promovem a recuperação ambiental e ajudam a garantir rios mais saudáveis e segurança hídrica para as atuais e futuras gerações.

© 2016 CBH-Doce - Todos os direitos reservados

Rua Prudente de Morais, 1023 | Centro | Governador Valadares | Email: cbhbaciadoriodoce@gmail.com