Na Bacia Hidrográfica do Rio Doce, os recursos provenientes da cobrança pelo uso da água são revertidos em investimentos voltados à preservação, à recuperação ambiental e ao fortalecimento da segurança hídrica. Mas, afinal, quem administra esses valores e como são definidas as prioridades para sua aplicação?
Para compreender esse processo, é importante conhecer o papel do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH Doce). Embora não seja responsável pela arrecadação nem pela administração direta dos recursos financeiros, o Comitê desempenha uma função estratégica na definição de prioridades e na aprovação de ações e projetos destinados à gestão dos recursos hídricos da bacia.
A gestão financeira e a operacionalização dos investimentos ficam a cargo da entidade delegatária que exerce funções de agência de água, responsável por viabilizar a execução das ações aprovadas, em conformidade com o planejamento e as diretrizes estabelecidas no âmbito do Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Recursos retornam para a Bacia do Rio Doce
Na prática, os valores arrecadados com a cobrança pelo uso da água são aplicados prioritariamente na própria bacia hidrográfica onde foram gerados. No caso do Rio Doce, isso significa transformar a contribuição dos usuários em investimentos que atendam às necessidades do território e contribuam para a melhoria das condições ambientais e da disponibilidade hídrica.
A destinação desses recursos segue o planejamento estabelecido para a bacia e as prioridades definidas pelos comitês. Entre as iniciativas que podem receber investimentos estão a recuperação e a proteção de nascentes, o saneamento ambiental e rural, a recomposição de matas ciliares, o monitoramento da qualidade e da quantidade da água, a realização de estudos técnicos, a elaboração de projetos e o fortalecimento dos instrumentos de gestão dos recursos hídricos.
Para o presidente do CBH Doce, Hernani Santana, a aplicação dos recursos deve refletir as necessidades identificadas nos diferentes territórios e se traduzir em benefícios concretos para a bacia.
“Os recursos da cobrança têm uma finalidade muito importante: retornar para a bacia na forma de investimentos que contribuam efetivamente para a melhoria das nossas águas. O papel dos comitês é discutir, junto aos diferentes segmentos, quais são as prioridades de cada território e direcionar esses recursos para ações capazes de gerar resultados. Quando investimos em recuperação de nascentes, saneamento, monitoramento e outros projetos, estamos investindo diretamente na segurança hídrica e no futuro da Bacia do Rio Doce.”
Com uma extensa área territorial e diferentes características ambientais, econômicas e sociais, a Bacia do Rio Doce apresenta desafios e necessidades específicos em cada região. Por isso, a definição dos investimentos considera as particularidades locais e é construída de forma participativa, por meio das instâncias de decisão dos comitês, que reúnem representantes do poder público, dos usuários de recursos hídricos e da sociedade civil.
Nesse contexto, os comitês exercem um papel fundamental ao promover o diálogo entre os diferentes setores, identificar demandas, estabelecer prioridades e deliberar sobre a aplicação dos recursos disponíveis. Já a gestão financeira e a viabilização das ações cabem às instituições responsáveis por essas atribuições.
Mais do que assegurar a destinação dos valores arrecadados, esse modelo de gestão busca transformar os recursos da cobrança em resultados concretos para a Bacia do Rio Doce, contribuindo para a recuperação de áreas ambientalmente importantes, a melhoria da qualidade e da disponibilidade da água e o fortalecimento da segurança hídrica para a população que vive e depende das águas da região.
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